Prólogo



Destino. Oito em cada dez pessoas preferem o azul. Eu sou uma delas. O azul do vestido de Cinderela que chorei para mamãe comprar, aos sete anos. O azul do balançador que me fraturou uma vértebra, aos nove. O azul da minha calcinha com uma suave marca vermelha, aos doze. O azul do consultório de “Freud”, aos quatorze. O azul de uma mecha no meu cabelo, aos dezessete. O azul dos olhos selvagens dele, aos dezoito.

Livre-arbítrio. Se pegarmos um filme pelo meio e virmos uma cena cortada, a ação de minutos é apenas fragmento desconexo. Por isso que a vida é mágica, ela é só um “fragmento desconexo”. E não precisa fazer sentido. Demorei a entender: a vida foi concebida para não fazer sentido. E eu preferia que nunca tivesse feito…

Caos. Mas sabe o que eu gostaria de ter descoberto antes? Que armas não são tão pesadas quanto aparentam. Que o ferro estraçalhando sua carne, só dói quando entra, depois parece uma parte de você. Que águias são as verdadeiras fênix. Que fazer sexo a primeira vez por amor não te isenta de sangrar e de sentir remorso. Que a morte não é pessoal. Que para a natureza o que importa é o resultado. Que nossa mente é fraca e experimental.

Mas a verdade é que não teria feito diferença, porque quando se está no limite, o pensamento, sentimento e ação se tornam:

Instinto…

E instinto é racionalmente indecifrável.

Ah! Eu também gostaria de ter descoberto isso antes…